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domingo, 1 de junho de 2014

Cinema: arte ou entretenimento?

Pense nisso por um momento: numa tarde livre de um final de semana, quantas pessoas que você conhece estão em shoppings e quantas estão em museus?

Não é necessária nenhuma contagem meticulosa pra saber que, na maioria dos casos, os shoppings estão sempre mais lotados, e que seu público frequentador pode ser bem distinto do público que prefere os museus.

Quando falamos de cinema, essa mesma distinção pode ser percebida de outra forma: encontram-se principalmente os blockbusters e as grandes produções hollywoodianas nos cinemas mais populares e com um alcance de público maior (não por coincidência, quase sempre nos shoppings), enquanto os filmes independentes, filmes europeus e/ou sem muito apelo para bilheteria, são encontrados em cinemas menores, com público mais modesto, e que ficam em pontos bem específicos da cidade (não por coincidência, perto dos museus). A pergunta é: por que existe essa diferença?


Alguns filmes infantis são perfeitos pra ilustrar a versatilidade do cinema: ao mesmo tempo que divertem,
propõem reflexões sobre seus temas, agradando tanto adultos quanto crianças. De 1986, do diretor Rob 
Reiner e baseado num conto de Stephen King, Conta Comigo (foto), com seus personagens carismáticos 
e marcantes, convida a pensar sobre as amizades da infância.
Fica claro que existe uma divisão a respeito do consumo das obras cinematográficas, que parte tanto da indústria quanto dos próprios espectadores. Há aquelas pessoas que insistem em separar as produções entre “filme entretenimento” ou “filme pra se divertir” e “filme cabeça” ou “filme de arte”. É uma crença de que, para se divertir, é necessário desligar a mente e deixar de pensar, e que associa todo tipo de reflexão a uma prática chata e entediante. Pensar e se divertir são sim coisas diferentes, mas nem por isso quer dizer que não podem andar juntas. Uma piada pode ser ainda mais cômica quando convida o espectador a ter uma visão crítica sobre coisas que o cercam. Dizer que para se apreciar algum filme é necessário desligar a mente é o mesmo que assumir a experiência de assisti-lo como inútil e vazia, já que dessa forma, nas em média duas horas em que acompanharia a projeção, seria impossível para o espectador identificar qualquer coisa ali que pudesse levar consigo depois que subirem os créditos. Se uma mesma música pode servir, ao mesmo tempo, para dançar, cantar junto e ainda fazer refletir sobre os mais variados assuntos, por que um filme não pode ser divertido e ainda oferecer material para uma análise mais profunda sobre qualquer que seja o seu tema? Reduzir um filme a apenas uma função – a de entreter –, é subestimar o próprio cinema. São sons, imagens e palavras que, a cada momento, podem transmitir uma nova mensagem e evocar um novo sentimento. Com todo esse poder, o cinema deve ir muito além de provocar algumas lágrimas ou risadas. Além de entreter, ele pode participar da vida das pessoas e oferecer experiências que tenham algum significado. A reflexão não anula a diversão, e vice-versa.

Tantos nos quadrinhos quanto no cinema, os X-Men são famosos por representar as minorias sociais através 

de metáforas. Intolerância, racismo, machismo, homofobia, xenofobia e desigualdade social são alguns dos 
temas explorados e criticados na trama dos mutantes. Tudo através de HQ's e blockbusters.
Outro fator que contribui para segmentar os filmes é o alcance de público que cada um deles consegue. Os considerados “para se divertir”, onde se enquadram os blockbusters, costumam custar milhões para serem feitos e têm como um dos principais objetivos lucrar o máximo possível nas bilheterias. Aqui, o interesse dos produtores pelo lucro pode influenciar diretamente em vários aspectos do filme, e por isso alguns deles acabam sendo prejudicados. Já para os considerados “de arte”, os problemas enfrentados são diferentes. Geralmente, eles custam bem menos que os blockbusters (o que não é uma regra), e o diretor tem mais liberdade para fazer o filme à sua maneira. Porém, pelo baixo orçamento e menor alcance de bilheteria, acabam sendo distribuídos apenas para algumas cidades e exibidos em pouquíssimas salas, o que contribui para que apenas uma parcela pequena de pessoas os conheça e aprecie. Por esses motivos, na maioria dos casos, os blockbusters são mais bem aceitos pelo público do que pela crítica especializada, e com os outros, acontece o contrário.

Mesmo com essas discrepâncias, o alcance de público e o lucro não são válidos para qualificar a representação artística, e nem é correto separar entre aqueles que são artísticos e aqueles que servem apenas pra entreter. Todo filme vale como obra de arte, independente de qualquer fator. O cinema, em si, é arte, e não apenas determinados filmes. A qualidade dessa arte é que varia em cada caso.

Hoje cultuado por muitos críticos e fãs de cinema, Clube da Luta (David Fincher), foi um fracasso comercial. O filme, de 1999,
custou 63 milhões de dólares para ser produzido, e arrecadou apenas 100 milhões de bilheteria

É preciso extinguir o preconceito e dar uma chance para todos os filmes. Eles são muitos e dos mais variados tipos, mas o cinema é uma coisa só, e todos eles são igualmente cinema. Com a riqueza tão particular que um filme pode proporcionar, nem sempre é bom separá-los em segmentos e nos guiar através destes. Uma vez que se entende isso, é possível aproveitar as coisas boas que cada um deles pode nos oferecer. É possível descobrir que também tem arte nos shoppings e diversão nos museus.


Por: Matheus Souza



sábado, 26 de abril de 2014

Da ficção à realidade: como a arte reflete a sociedade

Antes de começarmos, devo dizer um pouco sobre um companheiro meu que me inspirou a escrever sobre esse assunto. Desde a primeira vez em que conversamos, sabia que ele seria alguém importante pra mim, e eu não estava errado. Apesar de todas as características que nos tornavam imensamente diferentes um do outro, havia também todas aquelas que nos tornavam perfeitos melhores amigos. Conforme eu o conhecia, essas últimas se tornaram as mais evidentes. Juntos, passamos por bons e maus momentos, e cada um deles aumentava o sentimento. Ele mora num livro, num filme e num seriado de TV, mas sua morte me ficar triste como se morasse na minha casa. Ainda de luto, depois de alguns dias, algumas perguntas me vieram à cabeça, e ela sobre elas que iremos falar.

Por que nos emocionamos com filmes, livros, novelas ou seriados? O que eles nos dizem sobre nós e os que nos cercam? Até que ponto eles nos afetam e influenciam nossas vidas?

Em A Rosa Púrpura do Cairo, Cecilia é a garçonete que vê sua vida mudada quando um personagem de um de seus filmes favoritos sai das telas e ganha vida. A partir daí, ela precisa escolher entre o real e o imaginário
Antes de tudo, é necessário entender que toda arte, por mais surreal que seja, faz parte de um ciclo que tem início em um elemento da vida real: o artista, a partir de algo existente, cria uma obra fictícia. Uma vez que essa obra é passada ao público, aqueles que assistem, mesmo sabendo que é fictícia, ligam-na a vida real e procuram aplicá-la em suas próprias realidades. É então que ocorre a identificação e o leque de possibilidades abre-se ainda mais: cada pessoa que tem contato com a obra a interpreta de maneira diferente, e consequentemente é influenciada de uma forma diferente pela mesma. Por exemplo, num filme onde toda uma família morre de forma trágica, alguns chorariam pela morte dos pais, outros pela dos filhos, outros pela situação como um todo, e outros sequer se sentiriam comovidos. Há, na própria ficção, algumas obras que podem nos ajudar a entender um pouco melhor o assunto.

Em A Rosa Púrpura do Cairo (1985), escrito e dirigido por Woody Allen, Cecilia (Mia Farrow) é uma garçonete que utiliza o cinema como fuga para os problemas que enfrenta no seu cotidiano: além de viver sob a Grande Depressão, que assolou os Estados Unidos durante os anos 30, ela sofre por causa de seu marido, um bêbado, violento e desempregado que ela trabalha para sustentar. Dentre outras discussões, de forma metalinguística, o filme fala sobre a visão que o público tem do cinema e como cada filme pode atingir de maneiras diferentes determinadas pessoas. Cecilia usa o cinema para preencher os vazios de sua própria realidade.

 Com acontecimentos reais inseridos na trama fictícia, The Newsroom revisita fatos
importantes e permite um novo olhar sobre eles
É claro que não são todas as pessoas que veem os filmes dessa forma. Em A Rosa Púrpura do Cairo, Woody Allen evidencia apenas algumas das inúmeras maneiras de como o público pode ser atingido. Paralelos a situação de Cecilia,, temos aquelas pessoas que na ficção, encontram respostas sobre si mesmos nos personagens com que se identificam, projetam decisões com base nas situações mostradas, aprendem a lidar com determinados problemas, a não cometer determinados erros, etc.


E essas identificações não são apenas pessoais, mas também sociais. Cada obra, mesmo as fantásticas, funciona como retrato de uma região e uma época (seja a época de criação da obra ou a da história que ela conta). Com um pouco de atenção, é muito fácil perceber isso. Basta uma olhada nos filmes Clube dos Cinco, As Vantagens de Ser Invisível e Spring Breakers, por exemplo, pra notar semelhanças e diferenças na juventude estadunidense dos anos 80, 90 e 2000, respectivamente. 2001 – Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, é mais um exemplo. Com sua reflexão atemporal, o filme põe em vista as questões existencialistas que tomavam conta do pensamento filosófico durante a segunda metade do século 20, e o fascínio que havia na época em relação ao espaço. Há também as obras que, expondo a visão política de seus autores e/ou personagens, convidam o público a observar de forma crítica o seu próprio sistema político, como o livro 1984, de George Orwell, e até a série The Newsroom, criada por Aaron Sorkin. Outro exemplo de fácil compreensão dessa conexão direta entre a arte e a sociedade é a música: em todo o mundo, os estilos e gostos musicais variam de lugar para lugar e geração para geração, e para que isso aconteça existe um motivo, que é a forma como essa música se relaciona com as pessoas daquela região, naquele momento.


O que vale dizer sobre a arte em geral é que possui uma importância que por vezes não é notada. Os filmes que assistimos, as músicas que ouvimos, os livros que lemos, as roupas que usamos, as fotos que compartilhamos, os quadros que enfeitam nossas paredes, falam mais sobre nós mesmos do que possamos perceber. Mais do que sons, mensagens, imagens e painéis, a arte também serve de espelho.


Por: Matheus Souza

domingo, 20 de abril de 2014

O Cinema Digital e a Nova Geração de Diretores

Por mais de cem anos a indústria cinematográfica usou a película como forma de captar as imagens para seus filmes. Porém, com a chegada das filmadoras digitais, antes mesmo de completar cem anos, a película cinematográfica ganhou um novo adversário; ou deveríamos dizer, uma sucessora.
Há muito burburinho e bocas tortas quando o assunto de substituição de película pelas filmadoras digitais é posto em pauta. A possibilidade de captar imagens por meio de filmadoras digitais começou a ser possível no final dos anos 60 quando a Sony adquiriu uma tecnologia que futuramente se tornaria a primeira filmadora digital. Algum tempo depois com, a popularização dessas câmeras, diretores amadores (e até mesmo um grupo de diretores já famosos) começaram a se interessar por esse novo advento tecnológico. A possibilidade de conseguir baixar o orçamento de um filme era tentadora e isso fez as câmeras digitais ganharem mais força ao longo dos anos. O diretor Lars Von Trier, o cinematógrafo Anthony Dod Mantle, o diretor George Lucas e posteriormente, mas não menos importante, o bem-sucedido James Cameron foram alguns dos nomes que deram vida ao cinema digital dentro de uma indústria pouco flexível.
George Lucas, o magnata diretor e roteirista por trás de Star Wars, é um grande defensor do cinema digital e acredita veemente que a pelicula chegou no seu auge e que a transição para o digital é necessária. 
David Lynch diz no documentário Side By Side - Can Film Survive Our Digital Future (2012) que filmar digitalmente é totalmente diferente e que chega a ser melhor. Ele diz: Você sabe que a película tem no máximo dez minutos e a maioria dos diretores nem chegam à isso, eles usam oito, nove minutos no máximo. Quando a película começa a rolar, há meio que uma sensação de que algo precioso está indo junto e isso coloca uma certa tensão nas coisas. Agora você pega um aparelhinho digital e você consegue gravar quarenta minutos, operar a câmera e falar com o ator, começando tudo de novo. E então eles (os atores) conseguem se aproximar e tem uma coisa que nunca seria captada com aqueles trambolhos de câmera.  


Cillian Murphy em Extermínio (2002)
Os britânicos Anthony Dod Mantle e Danny Boyle formam uma dupla que serve perfeitamente como exemplo para o que Lynch citou no documentário comentado anteriormente. Boyle, interessadíssimo como cinema digital, convida Mantle para trabalhar com ele em Extermínio (2002) e o cinematógrafo chegou a falar: Eu nunca vou ganhar um Oscar com isso.
Boyle sobre falta de tempo suficiente para gravar com o trafego interrompido em Londres e a decisão dele e de Mantle ao gravar:

Fizemos vários shots e de vários lugares diferentes e, no final, nós tínhamos muito material do Cillian numa Londres abandonada.

A dupla repetiu-se em outros filmes como 127 Horas, e Quem Quer Ser o Milionário; o segundo, este, o primeiro filme todo rodado em digital a levar o Oscar de melhor filme. Recentemente, Dod Mantle trabalhou em Rush - No Limite da Emoção com o diretor Ron Howard.


Pessoalmente falando, indo além das indústrias cinematográficas, dos grandes orçamentos e receitas, o cinema digital deve ser um fôlego para toda uma nova geração de diretores. Agora qualquer um pode fazer um filme. Lógico, existem filmes e filmes. Mas qualquer pode fazer. O cinema amador pode revelar mentes incríveis para o futuro e o cinema só tem a ganhar com isso. Muitos usam o argumento de que  essa popularização pode gerar muita coisa ruim, o que não é mentira. Mas essa popularização e facilidade dá a liberdade artística a qualquer um, é livre como tem que ser, e se vai ser apreciada por uma pessoa, ou pela massa geral, isso depende de cada projeto.
O recado para os novos diretores é: Qual o melhor jeito de contar sua história? Qual a melhor forma de capturar um momento? Essas, meus amigos, são perguntas que James Cameron se faz e que Hitchcock se fez durante toda sua vida de filmes.

Por: Danilo Silva

sábado, 10 de agosto de 2013

O Cinema Realista


Após a recorrente fama de novidade que o cinema carregou até o século trinta, o cinema alcançou nessa mesma época a busca por temas mais próximos da realidade do espectador - não que já não o tivesse o feito antes, mas agora ele se destaca. Por incrível que pareça, falar do cinema realista é mais difícil que falar do surrealista, e isso deve-se pela alta detalhação e meticulosidade nas obras. O gênero que mais bebe nessa fonte é o drama que em sua maioria discute questões humanas como a busca por algo pessoal e intangível. Algumas pessoas interpretam o cinema realista erroneamente ao dizer que os finais são obrigatoriamente ruins daqueles que o mocinho não fica com a mocinha no final porque isso é inconcebível na realidade. Mas essa interpretação está errada. Não importa o quão uma situação possa parecer difícil de acontecer, deve ser considerado se isso é viável na vida real e o mocinho pode ficar com a mocinha se os dois estiverem vivos. É entendível essa interpretação por parte de algumas pessoas levando em conta que muitas buscam o cinema como um meio de escape da realidade que talvez não as satisfaçam, sendo assim, quando assistem um filme com o final triste, elas interpretem como cinema realista. Para melhor detalhação vamos aos filmes:

500 Days of Summer (2009) - Marc Webb

500 Days of Summer é um exímio exemplo dos filmes que as pessoas pegam para cristo quando se trata de cinema realista. A melancólica interpretação de realidade do filme cria um efeito interessante e apaixonante de empatia pelo espectador, o tom pastel - quase sépia - da fotografia nos faz pensar estar vivendo um sonho tênue e tudo isso desmorona no final. A mudança é clara quando comparamos as cenas em que Gordon-Levitt está apaixonado com Deschanel e as últimas, em que os dois seguiram caminhos diferentes - o tom que antes evidenciava um delicioso sonho, agora nos entrega uma fotografia contrastante de tons escuros (como as de as roupas pretas e sociais de Gordon-Levitt e a cidade) e claros (como a natureza à volta e a beleza de Summer). Porém, apesar da separação do casal, o filme termina com o contentamento de Gordon-Levitt e a chance que ele dá à uma nova paixão. Pensando assim, o filme já não parece mais tão triste, e podemos ver agora uma intenção de mensagem: No fim, se der errado, vamos seguir em frente. E essa é a verdade, não importa se algo não deu certo, as pessoas seguem em frente, interpretem isso como uma coisa boa ou não.

Trilogia Batman (2005, 2008, 2012) - Christopher Nolan





















Muitos consideram que Christopher Nolan viaja muito para ser considerado um diretor realista, mas não é bem por aí. Isso é evidente no seu alto cuidado com a meticulosidade de suas obras e a necessidade de explicar as ações de seus personagens. Após Inception (que o fez ganhar fama de diretor surrealista), Batman Begins, The Dark Knight  e por fim The Dark Knight Rises botou em pauta se era realmente essa a característica mais presente e pretensiosa de suas obras. Apesar da trilogia de Batman ser sobre um super-herói, o filme cuida de temas como politica, segurança humana e, mais uma vez, sobre a auto-satisfação e bem estar do protagonista. Tudo isso é apresentado em filmes com pouco mais de duas horas de duração e uma fotografia escura e agressiva. Gotham é para o Batman de Nolan o que Nova York foi para Travis Bickle de Scorsese. A situação de Gotham na trilogia serve de metáfora à insegurança atual do subúrbios das grandes cidades do mundo, enquanto a high-society bebe martíni e vai a eventos sobre o futuro, a população restante sobrevive trabalhando e ficando fora de problema.


Catch Me If You Can (2002) - Steven Spielberg

Catch Me if You Can é uma outra vertente do cinema realista - aquele filme que é baseado em fatos reais, mas que se utiliza (claro) de dramatização para enriquecimento da obra. Steven Spielberg se saiu muito bem quando tratou de focar o filme no por que de Frank Abagnale Jr. (personagem de Leonardo Di Caprio) estar fazendo aquilo e não em como ele fez o que fez.

Taxi Driver (1976) - Martin Scorsese

Um dos meus filmes prediletos, Taxi Driver de Martin Scorsese é um retrato fiel à Nova York da época dos veteranos de guerra. O filme se trata sobre Travis Bickle, um veterano de guerra que está em busca de algo que o satisfaça, mas ele não sabe ao certo o que é. Em busca disso, ele arruma um emprego, um affair e um objetivo - matar um politico. Ele trabalha em cima disso e a transição da passagem do Travis de antes com o de depois mostra a ele que não conseguirá matar o politico. Sua ansia é tamanha por fazer algo, que ele concentra todo esse desejo em Iris (personagem de Jodie Foster) e a ajuda matando o cafetão que a gerenciava e os capangas do mesmo. Como Travis é inexperiente e é considerado um cívil, é claro que ele não se sairia muito bem, e apesar de matar todos os bad guys, Travis é quase morto.
Nova York é retratada no filme como um lugar sem segurança e uma verdadeira selva de cada um por si. A poluição, ruas sujas e o tumulto de pessoas evidenciam o crescimento da industrialização e a crise econômica e depressiva da cidade. No final, Travis vê que as coisas não são tão ruins e sua perspectiva parece mudar quanto as pessoas e também quanto a si mesmo. I got some bad ideas não é mais o pensamento presente em Travis.



















The Goodfellas (1990) - Martin Scorsese

The Goodfellas (também de Scorsese) é, ao contrário de Taxi Driver que se trata sobre a ascensão pessoal de alguém, este se trata sobre o declínio de Henry Hill (personagem de Ray Liotta). Os cuidados tomados pela gangue de Robert De Niro no filme evidenciam questões identificáveis na vida real como: Não atirar em público, manter uma boa relação com a família e tomar cuidado com os gastos para não serem pegos pela Receita Federal. Após todo esse cuidado, a ambição humana é o que mais conta e o grupo de amigos da mesma gangue se dividem aos poucos quando começam a desconfiar de si mesmos quando o cerco ameaça apertar. O envolvimento com drogas por parte de Henry torna sua vida um inferno, afetando tanto sua relação profissional quanto familiar, assim, deixando-o à beira mar.

Por fim, o cinema realista trate-se de obras mais empáticas e em algumas das vezes pode não ser a mais pessimista e sim se tratar mais sobre questões pessoais e mais próximas à realidade. Sejam essas questões pessoais ou de todo mundo, a realidade é vista pelo cinema como um romance é visto pelos poetas, a clareza e transparência de situações pode não ser as mais aceitáveis, mas são a verdade e se tratam apenas disso, da verdade.

Por: Danilo Silva


terça-feira, 23 de julho de 2013

A importância da trilha sonora

De quantos filmes você se lembra pela trilha sonora? Você sabe qual era a música tocando quando um de seus personagens favoritos morreu em um seriado? Quantas cenas musicais clássicas vêm na sua memória enquanto lê esse texto? É possível fazer um filme sem trilha sonora?

Twist and Shout, na versão cantada pelos Beatles,
 em Curtindo a Vida Adoidado

Uma pequena reflexão com base nessas perguntas é o suficiente para entender a importância da música no cinema e a TV. Esse fator, que para muitas pessoas passa despercebido, é fundamental para aproximar mais a obra de quem a assiste, ampliando através do som o sentimento interpretado na tela.

O tema composto por Bernard Herrmann para o filme Twisted Nerve, de 1968, 
já apareceu em Kill Bill e American Horror Story

Desde os primórdios do cinema, a música já era utilizada com esse fim. Porém, só a partir do final da década de 20, graças aos avanços tecnológicos que facilitavam sua manipulação, é que ela passaria a ser realmente tida como um fator importante, quando os produtores começavam a utilizar trilhas feitas exclusivamente para a realização dos filmes. A trilha sonora era um dos elementos principais e podia determinar o sucesso comercial das produções.

O tempo passou e o papel da música no cinema foi ficando cada vez mais significativo. Na década de 60, filmes musicais como Amor, Sublime Amor, My Fair Lady e A Noviça Rebelde estavam entre os vencedores do Oscar de melhor filme. Hoje, é impossível falar sobre qualidade musical no cinema sem lembrar-se de alguns filmes como “2001: Uma Odisseia no Espaço”, “Kill Bill” e toda a trilogia “Senhor dos Anéis”.

O poema sinfônico Assim Falou Zaratustra, que aparece em 
2001: Uma Odisseia no Espaço, foi composto pelo 
alemão Richard Strauss e inspirado no livro homônimo de Nietzsche

Cinematograficamente, o papel principal da música é transmitir de forma mais vívida para o espectador as emoções sentidas pelos personagens ou contidas numa determinada cena, como o pavor de uma vítima ao fugir do assassino, a felicidade de uma mulher que encontra o homem de sua vida ou a psicodelia de um usuário de drogas. Sabemos que a pessoa que corre do assassino sente medo e aflição apenas de olhar para a tela, mas o som adequado trás esse medo até nossos ouvidos, de forma que possamos também senti-lo, mesmo em um nível menor. Bem intercalada com as cenas e utilizada nos momentos certos, a trilha nos aproxima dos personagens e pode tornar quase palpáveis as situações vividas por eles.

E claro, como indústria, a mídia também precisa da música como ferramenta de publicidade. A banda que toca nos trailers já pode ser empolgante o suficiente para fazer o público assistir os filmes. Um bom exemplo é a última adaptação de O Grande Gatsby, que com certeza levou ao cinema alguns fãs de Lana del Rey, Beyoncé, Jay-Z ou Florence and the Machine, que fazem parte da trilha sonora. Também é comum, principalmente em séries de TV, quando bandas e cantores pouco conhecidos (ou que foram muito conhecidos, só que em outra época) adquirem mais visibilidade e sucesso depois que têm uma música utilizada em algum episódio. É o caso do Snow Patrol, que foi apresentada a um novo público e ganhou bastante popularidade no mundo todo depois que várias de suas músicas serviram de trilha para episódios de Grey’s Anatomy. O mesmo pode ser dito de seriados como Glee, Supernatural, The OC, Gossip Girl, Smallville, Skins, CSI, Cold Case, The Following e por aí vai. Até mesmo na TV brasileira é possível perceber isso: é só prestar atenção em quantas pessoas se vê cantarolando a música tema da mocinha protagonista da novela das oito.

A canção Chasing Cars, do Snow Patrol, ganhou muita popularidade 
depois de aparecer no season finale da segunda 
temporada de Grey's Anatomy, em 2006


A moral da história é que, seja nos filmes, nas novelas ou nos seriados, a trilha sonora faz toda a diferença. Trata-se de um dos pontos essenciais do cinema (e da TV) como arte. Tristemente, ainda assim, é inevitável que muitos dos compositores responsáveis por elas sejam completamente ignorados pelo público que quase sempre só dá olhos aos atores principais.

Por: Matheus Souza

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Por que a industria pornô faz tanto sucesso?

Nesse exato momento, cerca de 30 mil pessoas estão assistindo filmes pornográficos.


Com um dos mercados mais movimentados da industria filmográfica, o cinema pornô parece estar pouco se lixando para o preconceito que o roda. Com filmes chegando a um milhão e alguns não passando de cem dólares, não é nada difícil entender o porquê desse gênero fazer tanto sucesso e o porquê pode servir de exemplo para outros gêneros.
Desde que o homem percebeu que podia capturar imagens e guarda-las para com ele para sempre, por que não fotografias de mulheres - ou homens - nus? Isso aumentou ainda mais quando o cinema surgiu. Apesar de criticado, o cinema pornô é a expressão mais sincera que há nesse meio, pois por ele não há nenhum tipo de subjetividade e nenhum tipo ensinamento (a menos que seja Kama Sutra), pois o gênero se trata sobre o ato mais primordial quando se trata de prazer: o sexo.
O ser humano é movido a sexo e muita coisa (alguns filósofos diriam tudo) giram, se não em torno do sexo, em torno do prazer. Se você estuda cinema ou se aprofunda no assunto por curiosidade deverá saber alguma hora que o cinema é um meio de escape da realidade, onde o espectador busca se sentir realizado e entretido. Já imaginou dirigir um carro disputando uma corrida contra o Vin Diesel? Já imaginou ir à Marte com o Jared Leto? Já imaginou viver o drama de um rei britânico que sofre de gaguice? Provavelmente, não só imaginou, mas como viveu isso quando viu esses devaneios virarem realidade diante de seus olhos. A industria pornô se baseia nesse conceito primordialmente, ela se trata sobre o desejo mais natural do ser humano e nunca irá gastar sua formula.


Para analisar isso à fundo, vamos fazer um exercício bem rápido. Pense em Pulp Fiction - filme de Quentin Tarantino de 1994, aclamado pela critica - e compare com o melhor filme pornô que você já viu (seja sincero). Em Pulp Fiction acompanhamos vários personagens e seus pontos de vista, a sensação que o filme sempre deixa após o termino é: Se estivesse naquele universo, eu seria o bad guy e não o policial. Esse desejo é sincero, pois temos a mania de tender a aceitar o que mais nos bajula, e Tarantino faz isso muito bem com seus personagens magníficos cuspindo frases marcantes e vivendo situações que só seriam posseis em um filme. Por outro lado no filme pornô que você escolheu como comparação, tantos elementos, como os que podem ser extraídos de Pulp Fiction, não podem ser extraídos do filme pornô. Por quê? Porque o filme pornô é dinâmico e te agrada já de cara (ninguém assiste filme ruim no mundo pornô), é um cinema sincero e objetivo que tem apenas uma formula de sucesso: Uma pessoa desejável, uma situação propícia e onírica e, claro, o prazer. Essa formula nunca irá envelhecer.
Não estou dizendo que todos os filmes agora devem ser superficiais, nunca. Pelo contrário, para mim, um bom filme pode ser o quão subjetivo quiser, mas ele deve fazer isso dinamicamente  ou seja, de uma forma que não fique chato e repetitivo. O cinema pornô nunca precisou se preocupar com isso. Então, pare de vergonha, porque não importa se você gosta da Sasha Grey ou da Faye Reagan, o argumento aqui é: Todos assistem e todos assistirão.


Por: Danilo Silva

sexta-feira, 5 de julho de 2013

A Futura e o Futuro de Lara Croft

Musa dos games e, apesar das adaptações cinematográficas que não convencem muito, ela foi musa no cinema também desde que Angelina Jolie a interpretou. Conhecida por deixar os homens e garotos aos redor do mundo babando, Lara Croft deve boa, quase toda, parte de sua fama ao público masculino. Criada por um homem (Toby Gard) é entendível seu sucesso arrebatador nos games, um espaço que geralmente é dominado por personagens másculos e machistas. Podemos compreender que por ter sido criada por um homem, sua personalidade, sensualidade e ações são frutos de uma mente masculina e de uma visão machista (não pejorativamente). Sendo assim, é quase óbvio o porquê de tantas e tantas horas infartando em frente ao monitor olhando um belo par de penas e seios em meio à paisagens paradisíacas, lutas físicas e uma personalidade afiada de bad girl.

Recentemente, a musa ganhou um reboot. Intitulado apenas como Tomb Raider, a morena mais bonita dos games voltou em grande estilo. O jogo é bom, os gráficos melhores e para a Lara não há palavras. O game fez sucesso o suficiente para que uma continuação fosse aclamada por jogadores ao redor do mundo. Eu, particularmente, estou na espera.


Porém, esse cenário próspero não reflete no cinema, pelo menos não por enquanto. Após a confirmação de que Angelina Jolie não voltaria a interpretar Lara Croft, muitas atrizes foram cogitadas para o papel, e então eu propus aqui uma lista pessoal de quem ficaria legal como a morena nos cinemas; questões como diretores, produtoras ou estórias ficaram de fora.


Especulada por sites, a atriz britânica Kaya Scodelario (mais conhecida por fazer Effy em Skins) disse recentemente disse que seria divertido fazer Lara Croft (leia na integra a matéria do Digital Spy). Ela parece ser perfeita para o papel apesar de ser demasiada magra comparada a Lara. Porém, na minha humilde opinião, ela se enquadra mais com a personagem do reboot de 2013.

Kaya Scodelario tem 21 anos.













Carismática, bem-sucedida, famosa, detentora de um Oscar, e ovacionada por fãs ao redor do mundo, Jennifer Lawrence é uma das mais promissoras atrizes de Hollywood. Americana, Jennifer Lawrence daria uma ótima Lara Croft, não só por seu belíssimo corpo, mas como também por seu tamanho talento.

Jennifer Lawrence tem 22 anos.














Emma Watson, a eterna Hermione de Harry Potter, está vivendo um momento incrível em sua carreira e apesar de ser mais singela corporalmente, sua beleza e sensualidade se escondem em sua atuação e talentos. Numa Lara mais jovem e menos descarada.

Emma Watson tem 23 anos.















A menor de todas na lista, a talentosa Chloe Grace Moretz pode ser cogitada para uma Lara Croft a longo prazo. A atriz já tem um histórico de filmes de ação e papéis que exigem porte de arma e brigas corporais, seria muito interessante ver ela daqui uns anos no papel de Croft.

Chloe Moretz tem 16 anos.















Reconhecida mundialmente e premiada merecedoramente, Penélope Cruz talvez seja o sonho mais distante de todas as especulações já feitas. Bonita e talentosa, a atriz já é mãe, mas não parece envelhecer. Se não como Lara, por que não como uma inimiga à altura?


Penélope Cruz tem 39 anos.














Mais experiente do que muitos pensam, Mary Elizabeth Winstead tende entre papéis juvenis e papéis sensuais. A atriz já trabalhou com Tarantino e foi a Ramona da versão cinematográfica de Scott Pilgrim Contra o Mundo.


Mary Elizabeth Winstead tem 28 anos.















Musa de How I Met Your Mother e personagem no arrebatador The Avengers, Cobie Smulders é bonita e talentosa o suficiente para assumir o papel de Lara Croft. 

Cobie Smulders tem 31 anos.

















Musa adolescente e também reconhecida mundialmente, Emma Stone é nova e bonita. Seus papéis sempre são divertidos e ela costuma fazer garotas carismáticas e peraltas. É outro bom nome para uma Lara mais jovem.

Emma Stone tem 24 anos.














A mais velha da lista não é mais improvável. Jennifer Connelly tem um extenso e experiente currículo que poderia facilmente garantir à ela o papel. Apesar da idade, Jeniffer seria uma Lara linda e poderosa, além de refletir experiencia e vivencia, a atriz americana sempre se deu bem com papéis que exigiam corridas e situação a mão armada.

Jennifer Conelly tem 42 anos.












Querida e ovacionada, Lara Croft tem várias personalidades e isso varia de jogador para jogador. A personagem, feita por um homem, tem características masculinas e qualidades femininas extremas que cegam qualquer olho bobo por aí. Seja nos quadrinhos, no cinema ou nos games, Lara Croft sempre terá seu espaço entre as maiores e mais belas personagens femininas e assim ela deve ser representada e adaptada.


Por: Danilo Silva

terça-feira, 2 de julho de 2013

Guerra Mundial Z

Há pouco tempo, as apostas para Guerra Mundial Z eram predominantemente negativas. Poucos foram aos cinemas com esperança de ver um bom filme. Não sem razão, já que a produção passou por vários problemas durante o processo de filmagens, o que resultou em várias alterações de roteiro, milhões de dólares gastos, data de lançamento adiada e um final completamente diferente do previsto. Felizmente, ainda assim, é mais fácil sair da sessão satisfeito do que decepcionado.


O filme, com a direção de Marc Forster e baseado no livro de mesmo nome do escritor Max
 Brooks, tem o enredo bem simples: Gerry Lane (Brad Pitt) um ex-investigador da ONU, é recrutado pelo governo estadunidense para descobrir as causas que levaram a epidemia de uma doença que transforma as pessoas em zumbis. Pela chance que tem de manter sua família em segurança, ele aceita a missão. A partir daí, acompanhamos sua jornada por vários lugares do mundo em busca de respostas.

A primeira cena já apresenta um dos melhores aspectos do filme: tensão. Logo nos primeiros minutos, temos uma sequencia angustiante de perseguição e fuga. Com a multidão correndo pelas ruas, as várias tomadas aéreas nos mostram a dimensão do problema e, de quebra, também assustam, mostrando a velocidade com que os mortos-vivos se locomovem (isso mesmo, os zumbis correm!). Todos esses pontos, somados, colaboram para manter o espectador atento à trama e, sobretudo, dão ao filme uma característica própria.

Os efeitos especiais também funcionam bem, e os cenários se alternam: ora espaços fechados e escuros, ora espaços grandes e ao ar livre, porém igualmente claustrofóbicos por causa da multidão. O que atrapalha é a câmera rápida e incessante, que dificulta muito a visão em várias cenas.

Todo o contexto para explicar as características da epidemia (até onde ela é desvendada) é bastante realista e até aplicável como situação real e, além da ação e da aventura, também são abordados alguns temas interessantes como superpopulação e o envolvimento político diante do desastre de dimensão global.


Fica claro que Brad Pitt é talvez o maior responsável pelo trabalho bem sucedido, e não só por ser o protagonista. O roteiro, que não permite conhecermos a fundo nenhum dos outros personagens, joga todo o filme em suas costas, e mesmo assim o ator não decepciona.

E para aqueles que já assistiram e não se agradaram com o final, uma boa notícia: segundo a Paramount, Guerra Mundial Z já foi confirmado para ganhar uma sequência, graças ao sucesso de bilheteria no mundo todo durante a semana de estreia.


É a chance que fica para que os responsáveis pela continuação consigam acabar com algumas pontas soltas deixadas até aqui.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

O jeito brasileiro de fazer cinema

Elena

Na última década, o nosso cinema tem passado por belos momentos. Hoje, quando aproveitamos os finais de semana para prestigiar um filme, há sempre uma ótima opção nacional em cartaz. E já não estamos presos aos clichês e comédias meia-boca. O fácil acesso a produções cinematográficas de todos os tipos tem levado os cineastas brasileiros a arriscarem cada vez mais em enredos e formatos diferentes para conquistar um público cada vez mais exigente.

A Menina Sem Qualidades

Talvez o mais agradável disso está na chance que o espectador tem de conhecer personagens reais, com histórias familiares e em lugares que conhecemos e visitamos no dia a dia. Um convite para que vejam como pode ser fantástico o mundo ao seu redor. E isso não está restrito às telas grandes. Encontramos essa mesma qualidade na TV aberta, na TV a cabo e na internet. É só dar uma olhada em algumas séries como A Menina Sem Qualidades (em reprise na TV e disponível na internet), da MTV, Sessão de Terapia (volta em 7 de outubro), do canal GNT ou até mesmo os vídeos do Porta dos Fundos no YouTube.

Sessão de Terapia


Ainda assim, infelizmente, poucos conhecem ou consomem este nosso lado artístico. Filmes como Elena (atualmente em cartaz) e O Som ao Redor (2012), mesmo tendo grande destaque em premiações e festivais, principalmente fora do Brasil, não chama a atenção da maior parte da população.

O Som ao Redor


Pensando nisso, da próxima vez que ir ao cinema, dê atenção aos filmes nacionais. Não como um incentivo para abandonar completamente as produções hollywoodianas. Existe muita coisa boa, não só em Hollywood, como em todos os lugares do mundo. O que não devemos fazer é ignorar todo o ótimo conteúdo inteiramente made in Brazil.


segunda-feira, 24 de junho de 2013

Adeus a Gandolfini

James Gandolfini Jr., ator norte-americano que nos deixou com as jujubas na mão no exato dia 19 de Junho, provavelmente deve estar dizendo agora "I wipe my ass with your feelings", mas mesmo assim temos muito o que dizer.
Bacharelado em Artes, Gandolfini teve um de seus primeiros papéis em filmes em True Romance - sim, um dos roteiros que o Tarantino escreveu e vendeu e todos sabem dessa história - e um de seus últimos trabalhos foi Killing Them Soflty (onde ele e Brad Pitt são as únicas coisas boas do filme) e no premiado Zero Dark Thirty.
Porém, apesar de ter estrado roteiro de ter trabalhado com Tony Scott, Joel Schumacher e atuado com Christophen Walken, Nicolas Cage, recentemente Brad Pitt e até Kirsten Stewart, Gandolfini fez-se em Família Sopranos.


Apesar de já ter mais de dez anos, a série produzida, claro, pela HBO ainda pode ser considerada uma das séries mais bem produzidas, escritas e bem sucedidas de todos os tempos. Gandolfini e a equipe estrearam com Família Sopranos na TV em 1999, se tornaram referencia de sucesso em todo mundo e, claro, a carreira de Gandolfini decolou com papéis e linhas memoráveis e também com um salário que chegou a um milhão de reais cada episódio.
É inegável que o Gandolfini ficou marcado por ser aquele cara violento e tipico italiano chefe de família, podemos até arriscar de que os anos noventa de The Goodfellas (1990), Reservoir Dogs (1992), Pulp Fiction (1994) e tantos outros, chegou para se agrupar e conquistar seu espaço em meio ao cinema frio, realista e maquiável dos anos '90.
Se você nunca acompanhou o trabalho de James Gandolfini, é indispensável que assista Família Soprano e que assista filmes como 8MM, O Homem que Não Estava Lá, Romance e Cigarros, O Homem da Máfia e até mesmo o bom Corações Perdidos.
James Gandolfini morreu na Itália (olha que irônia) devido à um infarte cardiaco. Que descanse em paz o americano mais italiano de todos os tempos.

Deixo com vocês umas das minhas cenas favoritas do Gandolfini em Família Soprano:


Por: Danilo Silva