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Carrie, a estranha - Critica

Remake da clássica obra de Stephen King foi necessário? Saiba mais lendo a critica por Matheus Souza!

Como Não Perder Essa Mulher (Don Jon) - Critica

Joseph Gordon-Levitt estreia no roteiro e na direção, mas vale a pena ir ver? Leia a critica!

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Critica The Purge

Um conceito muito bom, uma realização nem tanto

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terça-feira, 20 de maio de 2014

Godzilla - Crítica


A surpresa das pessoas ao descobrir que Godzilla é na verdade mais herói do que vilão do filme é tamanha que chega, para quem já conhece a franquia, a ser nostálgico ir assistir, mas os pontos bons do filme não passam disso para o segundo longa do novato Gareth Edwards (Monsters, 2010).
 

O longa tokusatsu que apareceu como o Pacific Rim de 2014 começa muito bem utilizando-se de plot twists ao apresentar uma série de fatos históricos relacionados à catastrofes imensas e relacionar com a trama do filme para deixar qualquer conspiracionista de sorriso aberto. Após essa introdução, Gareth Edwards mantém o bom nível ao nos mostrar, em menos quinze minutos, personagens tão interessantes e naturais como os de Cranston (como esperado) e sua mulher. Mas, após uma virada no filme e um elipse, a trama decaí imensamente e de forma abrupta. Descobrimos então que o humano protagonista da história é na verdade o forte e jovem soldado Ford, interpretado por Aaron Taylor-Johnson, filho de Joe (Bryan Cranston); e isso é um soco no estômago.
A intenção de Edwards de criar em Ford um paralelo de continuidade para a motivação de Joe é clara e interessante, mas não funciona. Isso se deve ao próprio protagonista humano escolhido para o filme, Ford Brody, que não consegue convencer em momento algum - nem nas cenas com a família, nem nas cenas como herói ao salvar uma criança de cair para a morte e muito menos como um Jack Bauer. Isso não se deve apenas à Taylor Johnson que, para falar a verdade, não convence de rosto, mas que, para falar a verdade novamente, não tem muito o que fazer com o roteiro do jeito que é. Quem rouba a cena mesmo é Ken Watanabe que mesmo depois de proferir o clássico "Gojira" ainda se mantém como o personagem mais interessante na tela. Porém, isso não é o bastante. Para piorar o filme conta com alguns erros de continuidade (como o cão aparecendo preso à uma árvore e, no corte seguinte, se solta quando um tsunami está prestes à arrasar o litoral) e muitas coincidências na história (como os pais do menino que Taylor-Johnson salva aparecerem coincidentemente no local onde ambos estavam).

O ponto positivo fica por conta do ótimo CGI (área essa pela qual Gareth Edwards tem apreço e envolvimento) que, em contraponto, podem não ser tão aproveitados para quem experiência o filme em 3D que é escuro e incômodo.

Um filme que não chega a ser um desperdício total, mas que podia ter sido mais. Com uma continuação já garantida, Edwards, se escalado para dirigir a sequencia, tem a chance de corrigir erros que cometeu nesse primeiro e aprimorar sua própria direção que se mostra interessante e autentica (vide a cena da ponte e a locomotiva em chamas e o salto de paraquedas em direção às bestas colossais).
Infelizmente, por ser um filme tão aguardado, Godzilla surpreende negativamente ao apresentar um roteiro cheio de falhas e personagens estáticos e duplamente ao mostrar que existia potencial e dedicação ao filme (principalmente ao notar o trabalho de direção de arte, o cuidado ao mistificar novamente o monstro mais famoso do cinema e à paixão de um diretor), mas que, por sua vez, perde espaço em meio à tantos erros.

Por: Danilo Silva

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O Hobbit - A Desolação de Smaug - Crítica



Para todos que já assistiram a primeira parte da nova trilogia inspirada no mundo de Tolkien, O Hobbit – Uma Aventura Inesperada, a expectativa para este segundo filme era ainda maior. E o diretor Peter Jackson não decepciona: nessa segunda parte, a trilogia fica ainda melhor e se prepara para um desfecho sensacional.

Além de um melhor aproveitamento dos elementos que mais chamaram atenção no primeiro filme, principalmente ligados a qualidade visual do longa, em A Desolação de Smaug, há um desenvolvimento mais sombrio da história, diminuindo o tom humorístico e aumentando as cenas de ação.



Com o objetivo de adaptar a história para uma versão mais adulta, Peter Jackson acrescenta vários elementos que não estão presentes no livro de Tolkien. O exemplo mais perceptível é a elfa Tauriel , interpretada por Evangeline Lilly (Lost): cada uma de suas cenas dá um toque feminino que o livro não tem. Da mesma forma, algumas das cenas de ação são incrementadas ou sofrem algumas mudanças, tornando-se mais interessantes aos espectadores do que seriam se fossem reproduzidas respeitando todos os detalhes da obra original.  Todos esses recursos, apesar de não serem essenciais para o desenvolvimento da trama, aparecem de forma natural, sem prejudicar a aventura inesperada de Bilbo (Martin Freeman) e os anões para alcançar a Montanha Solitária.

A experiência visual de assistir o filme, com os cenários incríveis e os 48 quadros por segundo, continua tão boa quanto na primeira parte. Pra ajudar no quesito, agora ainda temos o dragão Smaug (Benedict Cumberbatch), tão belo quanto assustador.




Com 161 minutos, o tempo de duração de A Desolação de Smaug serve tanto como ponto positivo quanto negativo. Por um lado, algumas cenas são perceptivelmente aproveitadas ao máximo, sem pressa e deixando o espectador satisfeito. Por outro, há cenas cansativas e com vários minutos dispensáveis, e ainda assim, nem todos os personagens são explorados.

Com bem mais acertos do que erros, Peter Jackson faz, de novo, um ótimo trabalho. A excitação aumenta em cada cena e, por fim, somos surpreendidos com um final inesperado na melhor parte do filme (claro), ficando com a sensação de “quero mais” que infelizmente só vai ser saciada no próximo ano.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Carrie, a Estranha - Critica

Foi na década de 70 que o mundo conheceu a história de Carrie White pela primeira vez. O livro de mesmo nome, primeiro sucesso de Stephen King, foi publicado em 1974, e o primeiro filme, dirigido por Brian de Palma, estreou em 1976.

Carrie poster 19Out2013

Na trama, Carrie White é uma garota que, por causa das restrições excessivas que recebe de sua mãe fanaticamente religiosa, é rejeitada pelos colegas. Essa rejeição passa dos limites quando, ao menstruar pela primeira vez, no banheiro da escola, ela é atacada pelas outras garotas. Nesse mesmo momento, Carrie descobre ter poderes sobrenaturais, e que pode usá-los para proteger a si própria.

Carrie A Estranha 07out2013 10

A primeira versão cinematográfica do clássico de Stephen King toca em pontos delicados (principalmente para a época em que foi lançado), como religião, aceitação social, o poder sexual da mulher e a crueldade adolescente. Décadas mais tarde, essas discussões continuam sendo tabus, mas que são encarados de forma completamente diferente do que em 1974/1976. Visto isso, nada mais justo que adaptar a história novamente, através de um remake ambientado em nossos tempos para que as novas gerações pudessem se identificar. Infelizmente, todo esse conceito parece ter sido perdido no longa que chegou aos cinemas na última sexta, 6 de dezembro.

Dessa vez a direção ficou a cargo da americana Kimberly Peirce (Meninos não Choram), tendo a atriz Chloë Grace Moretz como Carrie, e Julianne Moore como sua mãe.

Todas as cenas emblemáticas do filme de Brian de Palma foram mantidas, dessa vez com efeitos especiais dignos do século XXI. Infelizmente, o que foi adicionado em recursos tecnológicos foi excluído em qualidade. As atuações soam superficiais e algumas cenas, de tão mal construídas, se tornam cômicas. Há desde o abuso de explosões, sangue e sequências em câmera lenta até a repetição exaustiva de uma cena a partir de vários ângulos, no melhor estilo novela das nove.

Carrie A Estranha 27set2013 05

Mesmo Julianne Moore soa forçada dando vida à sua personagem. Sua performance até rende algumas cenas interessantes, mas que ficam apagadas diante de um roteiro tão fraco. Chloë Moretz é a única que, por vezes, parece compreender o que deveria ser a finalidade principal de um remake. Nos traz uma Carrie mais atrevida e bem menos assustada e inocente, que se aproxima mais dos jovens que conhecemos hoje.


Infelizmente, o trabalho de Kimberly Peirce aqui nos decepciona em diversos sentidos. Principalmente por desperdiçar a chance de discutir do ponto de vista do jovem moderno os temas que, depois de tantos anos, continuam atuais. A tecnologia, principal diferença entre a geração de hoje e a do filme de de Palma, tem pouquíssimo destaque. O fato de os bullies que atacam Carrie possuírem celulares e internet, por exemplo, é explorado de uma forma vazia e não convincente. Mesmo com o apelo para chocar com as cenas de morte e os efeitos especiais, o que vemos é um filme bobo, fraco e totalmente desnecessário.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Como Não Perder Essa Mulher (Don Jon) - Critica


Queridinho, galã e pretendente à próximo George Clooney de Hollywood, Joseph Gordon-Levitt lança seu primeiro filme como diretor e roteirista. A premissa do filme é simples: Jon (Gordon-Levitt) é um pegador que foi apelidado pelos amigos como Don Jon, fazendo referencia à um Don Juan contemporâneo. Ele e os amigos saem à noite e avaliam as garotas de zero à "dice" e Don Jon sempre leva uma mulher diferente para sua cama, mas, como ele mesmo admite, nada é comparado ao pornô. Apesar de não admitir, o rapaz é viciado em pornografia e depois de encontrar a garota que ele e os amigos avaliam como "dice", Jon se encontra numa situação difícil porque o sexo com Barbara (Scarlett Johansson) não chega a ser tão bom quanto a pornografia que ele tanto admira.
O filme tem pontos muito interessantes e poderia até ter sido avaliado melhor se não fosse alguns pontos que irei citar agora. É muito interessante como Gordon-Levitt cria uma Nova Jersey caricata que casa perfeitamente com o seu personagem machão e bom vizinho que preza a família, a igreja (apesar de questiona-la), os amigos, e as mulheres. Porém, essa característica tão interessante é usada de forma amadora, o que faz as linhas do roteiro se perderem entre o drama e a comédia. Outra coisa muito interessante é a personagem de Scarlett Johansson que é a personagem mais machista nessa história, quando isso era esperado de Gordon-Levitt que, ao contrario dessa expectativa, mostra-se um homem conservador, porém não segue todos os valores da geração anterior da sua família (valores esses que ficam claros nas cenas hilárias com Tony Danza).


Ainda no roteiro, Gordon-Levitt tentou criticar a mídia e os comerciais jogando alguns teasers dessa intenção, o que não chegou a ficar obsoleto, mas não chegou atingir um ponto em que pudesse ser chamado de critica. E é assim que todo roteiro é. Meia-boca como diria alguns dos meus tios. Gordon-Levitt soube criar personagens interessantes, ambientação no estilo Os Sopranos, e piadas engraçadas.

"They give awards for porn too."
Brie Larson como Monica em Don Jon (2013) e Kevin Smith como Silent Bob
em Clerks 2 (2006)

A irmã de Jon, Monica (Brie Larson) chama atenção em cena por não dizer nada durante o filme, o que cria a expectativa de que alguma hora ela irá abrir a boca e dizer algumas verdades que irá iluminar a mente do protagonista. E sim, isso acontece. Atitude que lembra muito o personagem de Kevin Smith - Silent Bob - em Clerks. Mas chega a ser tão previsível que aquela garota pendurada em seu blackberry iria fazer isso que chega a ser chato ver a cena. É pretensioso e descuidado, o que torna uma cena que poderia ser criativa e poderia acrescentar um ponto bom ao filme, numa cena que todos já sabiam que iria acontecer.

Julianne Moore entra na história de forma simples, mas se revela uma personagem com potencial também. É nela que Gordon-Levitt encontra o prazer equivalente as suas horas e horas de pornografia, mas o que poderia ser o highlight do filme, acaba se tornando a grande decepção. Não há resolução no roteiro. O filme simplesmente acaba e você fica se perguntando "Ok, mas e agora? O que aconteceu? É isso?".
Parece ser uma grande metáfora para o verdadeiro orgasmo e é assim que o filme é construído - é construído para gerar um grande êxtase no final, mas o que realmente acontece é uma brochante fade out.

É assim que Don Jon acaba, brochante. Com pontos bons como a edição que cria um ritmo hilário para o filme com pontos que destacam piadas, mas com mancadas feias como o não encerramento de conflito, que fica evidente quando os créditos surgem, inesperadamente. Porém, para um primeiro filme, Gordon-Levitt mostrou que sabe escrever e sabe dirigir filmes de forma descente, apesar de ter muito o que aprender.

Por: Danilo Silva

sábado, 10 de agosto de 2013

Pacific Rim - Critica


Del Toro é um grande conhecedor de criaturas enigmáticas e fantásticas do cinema, e além disso, ele é o criador de muitas delas. Desde Hellboy ao Fauno, Guilhermo Del Toro se provou como um apaixonado pelo que faz e isso é evidente em Pacific Rim (ou Circulo de Fogo) que estreou aqui no Brasil nessa última sexta-feira (09/08/13). 
Simples, porém robusto, o filme impressiona à primeira vista por dizer três ou quatro termos e literalmente cair na briga sem essa necessidade hollywoodiana de explicar tudo e mostrar o que o publico quer ver, (soco foguete) os famosos Jaegers estraçalhando os Kaijus. A trama é bem simples, a humanidade tem que lidar com monstros gigantescos que sairam de dentro de uma fenda no oceano e para isso foram desenvolvidos os Jaegers - robôs de batalhas gigantes. O robô é controlado em duplas (a não ser os chineses que agem em trio), e o controle é divido dando a cada pessoa um hemisfério do cérebro. É possível sentir o peso das toneladas e toneladas dos Jaegers e isso contribui muito para a sensação de dificuldade que os pilotos passam nas lutas. Os Kaijus também são impressionantes, tão nojentos quanto os aliens ridleyscotianos, eles lembram muito Godzilla e partindo daí uma série de monstros japoneses. 

É interessante como Del Toro resolveu não deixar você respirar durante o filme, além de destroços voando para todos os lados da tela, socos atordoantes, sangue azul dos Kaijus, os personagens são aprofundados durante as batalhas com flashbacks emocionantes (como se as lutas já não bastassem) o que oferece ao espectador a mesma perspectiva dos personagens descobrindo sobre uns aos outros. Idris Elba prova que evoluiu muito em seus últimos papéis e está em seu ápice, seu personagem, Stacker Pentecost, sustenta sua imagem de líder, mas mostra também seu lado paterno quando se trata de Mako Mori (personagem de Rinko Kikuchi) e porque não da segurança da humanidade. Porém, além de Mako Mori e seu trauma de infância e, pelo lado de Raleigh Becket (personagem de Charlie Hunnam) a perda do irmão em batalha, o filme para por aí, apesar dos flashbacks durante as batalhas e as consequências disso na trama, o roteiro não evidencia de forma que tome a frente da trama porque a função de fazê-lo está nas mãos dos conflitos que o mundo passa - afinal, é um filme sobre o futuro sobre a humanidade e o roteiro tenta evidenciar a todo momento o drama que é viver lutando contra algo imenso e que não tínhamos como controlar. O governo, claro, sempre lidera as frentes das decisões e com isso surge a resistência, liderada por Stacker, que após derrotas parou de ser financiado.


Os cenários são muito bem feitos. Prédios, mares e avenidas são socados, pisados e estraçalhados por Jaegers e Kaijus. O filme também nos entrega um clima quase que de Blade Runner com neons em placas com dizeres chineses e fumaça e mais fumaça; isso contrasta com a alta tecnologia nas ruas centrais e nas litorais criando a distinção entre o subúrbio perigoso (onde Hannibal Chau comanda sua gangue mercenária), a cidade (onde o governo tenta controlar a situação) e a resistência (onde pilotos experientes tentam combater as ameaças). O roteiro não entra em espirito nacionalista (nem teria com tantas homenagens ao cinema e TV orientais) e, apesar do principal Jaeger ser norte-americano, australianos e chineses dividem cena e são apresentados como um dos melhores do que fazem.
Pacific Rim é um filme muito bem dirigido e o 3D exigido pela Warner é bem executado com tiradas de objetos e placas na frente dos atores e prédios gigantescos para dar a sensação de duas camadas, e assim, a sensação de profundidade. O senso de escala impressiona também pelo imenso cuidado e meticulosidade, e é por isso que temos tantas e tantas imagens amplas de cenários para que possa ser enquadrado a ponte, o ocenano, o Jaeger, o Kaiju, e o prédio e assim termos uma (senão perfeita) boa ideia de tamanho dos gigantes. Apesar de ser bem simples, o roteiro se prova maduro e sucinto, com alívios nas horas certas e moderados (afinal, estamos falando do quase fim do mundo) e flashbacks que cortam toda a necessidade de minutos e minutos de envolvimento entre personagens (como no caso de Mako e Raleigh) para que o público pudesse engolir a repentina familiaridade e intimidade entre a dupla - isso é devido a genial desculpa do fluxo que torna o caminho de aprofundação de e entre personagens uma via de mão única. Após todo o show-off de efeitos especiais, é interessante sentir como o filme faz bem, e separando-se de filmes como Transformers, Avatar, Prometheus e tantos outros que prometem duas horas de um filme cheio de efeitos especiais e tramas épicas e no fim, só cumprem a primeira parte, Guilhermo Del Toro nos prometeu um filme sobre robôs gigantes lutando com monstros gigantes e tudo isso para salvar a humanidade (algo bem próximo do que a criança latina viu na TV a infancia inteira em Power Rangers, CyberCops, Jiraya e muitos outros), além de lembrar em certos momentos as estripulias de Michael Bay e até referenciar Evangelion, Pacific Rim nos entrega isso em pouco mais de duas horas preenchidas de destroços, socos, uma deliciosa ânsia por um beijo entre Raleigh e Mako, espadas e o já famoso soco foguete. Pacific Rim fugiu do estereótipo hollywoodiano de explicar tudo, e nos entregou um filme muito dificil de dar certo do jeito que deu, aquele em que você sabe que no final os robôs gigantes ganham, mas o que conta é como eles ganham (e soco foguete).



Por: Danilo Silva

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Diz aí: The Newsroom

É inverno aqui em nossas terras mas para o mundo dos seriados americanos estamos no meio da Summer Season. É uma época um pouco mais morna, já que a maior parte das emissoras investe mais nas estreias da Fall Season, que acontecem lá para setembro/outubro. Porém, é no verão americano que algumas séries, com menor concorrência e não tanta disputa por audiência, costumam arriscar um pouco mais no formato e acabam dando certo com o público e a crítica, adquirindo em pouco tempo muito sucesso. É o caso de algumas como Pretty Little Liars, Breaking Bad, True Blood e Dexter.


E foi também nessa época que nasceu a série que conheceremos hoje. The Newsroom, que estreou na HBO em Junho do ano passado, já fazia sucesso mesmo antes de o primeiro episódio ir ao ar, por ser uma criação de Aaron Sorkin, roteirista de A Rede Social e O Homem que Mudou o Jogo.

A trama nos apresenta o cotidiano dos bastidores do News Night, o principal telejornal do canal fictício de notícias ACN, comandado por Will McAvoy (Jeff Daniels) que, assim como sua equipe de jornalistas, precisa equilibrar a responsabilidade de manter o nível do programa de notícias com o ritmo de seus problemas pessoais.


O atrativo que torna a série tão especial é a maneira dinâmica como vários temas são abordados ao mesmo tempo. Sendo seus personagens repórteres e seu cenário a redação de um telejornal, são lançadas várias discussões sobre economia, política e várias questões sociais. Misturando tudo isso com a dose certa de drama e um elenco quase perfeito, temos a oportunidade de, em cada episódio, assistir a um programa de TV que mantêm o equilíbrio adequado entre entretenimento e reflexão.


Não bastasse, o roteiro de Aaron Sorkin, cheio de conteúdo e sempre direto ao ponto, mostra diálogos ágeis que aproveitam ao máximo os cerca de sessenta minutos de cada episódio, sempre colocando algo em foco. Uma vez que se começa a assistir, é quase impossível desgrudar os olhos da tela.

A segunda temporada de The Newsroom estreia no dia 14 de julho nos Estados Unidos, ou seja, pra quem ainda não conhece, ainda dá tempo de assistir a primeira, que tem apenas dez episódios. Aproveitem as férias!

Trailer da 1ª temporada

terça-feira, 2 de julho de 2013

Guerra Mundial Z

Há pouco tempo, as apostas para Guerra Mundial Z eram predominantemente negativas. Poucos foram aos cinemas com esperança de ver um bom filme. Não sem razão, já que a produção passou por vários problemas durante o processo de filmagens, o que resultou em várias alterações de roteiro, milhões de dólares gastos, data de lançamento adiada e um final completamente diferente do previsto. Felizmente, ainda assim, é mais fácil sair da sessão satisfeito do que decepcionado.


O filme, com a direção de Marc Forster e baseado no livro de mesmo nome do escritor Max
 Brooks, tem o enredo bem simples: Gerry Lane (Brad Pitt) um ex-investigador da ONU, é recrutado pelo governo estadunidense para descobrir as causas que levaram a epidemia de uma doença que transforma as pessoas em zumbis. Pela chance que tem de manter sua família em segurança, ele aceita a missão. A partir daí, acompanhamos sua jornada por vários lugares do mundo em busca de respostas.

A primeira cena já apresenta um dos melhores aspectos do filme: tensão. Logo nos primeiros minutos, temos uma sequencia angustiante de perseguição e fuga. Com a multidão correndo pelas ruas, as várias tomadas aéreas nos mostram a dimensão do problema e, de quebra, também assustam, mostrando a velocidade com que os mortos-vivos se locomovem (isso mesmo, os zumbis correm!). Todos esses pontos, somados, colaboram para manter o espectador atento à trama e, sobretudo, dão ao filme uma característica própria.

Os efeitos especiais também funcionam bem, e os cenários se alternam: ora espaços fechados e escuros, ora espaços grandes e ao ar livre, porém igualmente claustrofóbicos por causa da multidão. O que atrapalha é a câmera rápida e incessante, que dificulta muito a visão em várias cenas.

Todo o contexto para explicar as características da epidemia (até onde ela é desvendada) é bastante realista e até aplicável como situação real e, além da ação e da aventura, também são abordados alguns temas interessantes como superpopulação e o envolvimento político diante do desastre de dimensão global.


Fica claro que Brad Pitt é talvez o maior responsável pelo trabalho bem sucedido, e não só por ser o protagonista. O roteiro, que não permite conhecermos a fundo nenhum dos outros personagens, joga todo o filme em suas costas, e mesmo assim o ator não decepciona.

E para aqueles que já assistiram e não se agradaram com o final, uma boa notícia: segundo a Paramount, Guerra Mundial Z já foi confirmado para ganhar uma sequência, graças ao sucesso de bilheteria no mundo todo durante a semana de estreia.


É a chance que fica para que os responsáveis pela continuação consigam acabar com algumas pontas soltas deixadas até aqui.


terça-feira, 25 de junho de 2013

O (não tão) Grande Gatsby

Os mais rápidos já devem ter assistido ao esperado filme dirigido por Baz Luhrmann (Moulin Rouge, Romeu + Julieta), que chegou aos cinemas brasileiros no último dia 7. Mas para aqueles que não viram ainda, pensar duas vezes antes de comprar os ingressos é uma ótima dica.

O longa, adaptação da obra de  F. Scott Fitzgerald, acompanha Nick Carraway (Tobey Maguire), um jovem que, em busca de sucesso no mercado de ações, se muda pra Nova York nos prósperos anos da década de 20. Em meio às festas da alta classe, se vê amigo do misterioso (e milionário) Jay Gatsby (Leonardo DiCaprio), que pouco depois descobre ser apaixonado por sua prima, Daisy Buchanan (Carey Mulligan), casada com Tom Buchanan (Joel Edgerton). Conforme acontece a reaproximação de Gatsby e Daisy, fica cada vez mais tensa e perigosa a situação dos personagens.

Em meio a festas sem fim e cenários extravagantes, fica claro que a principal ideia do filme é retratar o contraste “bolso cheio/coração vazio” presente em quase todos que fazem parte da trama. Tarefa, em partes, bem sucedida. Principalmente por conta do ótimo trabalho de todo o elenco.

As Festas Eram Maiores

Tobey Maguire, claro, nunca deixa a desejar interpretando o jovem ingênuo e bem intencionado. Assim como Carey Mulligan e Leonardo DiCaprio, este com seu já muito conhecido talento sempre evidente. Joel Edgerton se destaca, mesmo com um personagem secundário, principalmente por não perder as rédeas mesmo em meio às variações de humor de Tom Buchanan.

Fotografia e Direção de Arte também nos dão uma produção visualmente prefeita, assim como os belos figurinos. São esses, junto com a atuação, os pontos que permitem que a experiência de assistir aos 142 minutos de filme não seja uma completa decepção.

East Egg

Infelizmente, em vários momentos, os erros se sobrepõem aos acertos. A começar pelo roteiro que, mesmo com ótimo enredo e ótimos atores, não consegue aprofundar o espectador na trama, utilizando por diversas vezes uma narração exagerada para preencher lacunas que não existiriam se os personagens fossem melhor aproveitados.

A trilha sonora, que mistura músicas atuais de artistas como Lana del Rey, Beyoncé, Jay-Z  e Jack White com o clima de festas da década de 20, oscila do início ao fim: ora funciona perfeitamente, ora se mostra apenas desnecessária.


Com essa quarta adaptação da obra de F. Scott Fitzgerald, em meio a tantos aspectos positivos e negativos, a conclusão a que se chega é que, ao fim de tudo, temos todos os ingredientes para sair da sessão tanto satisfeitos quanto decepcionados.




Por: Matheus Souza