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terça-feira, 16 de julho de 2013

O Homem de Aço




Seguindo o conceito de trazer para as telas grandes super heróis mais realistas, no último dia 12 chegou aos cinemas brasileiros O Homem de Aço, com a promessa de nos apresentar um novo Superman.

Dito e feito, o diretor Zack Snyder (de “300” e “Watchmen”), acompanhado por Christopher Nolan  na produção e David S. Goyer  no roteiro (ambos da trilogia “O Cavaleiro das Trevas”), não falhou em contar de uma forma diferente e apresentar um ponto de vista alternativo para uma história que quase todos já conhecem. Esse outro ponto de vista pode ser notado logo no início do filme: As primeiras cenas são inteiramente passadas em Krypton, flashbacks do momento anterior a quando nosso conhecido Clark Kent (Henry Cavill) ser enviado ao planeta Terra.

Inclusive, os flashbacks são um ponto característico do filme. A trama é contada de uma forma não linear que a cada momento aproxima mais o Clark adulto de todas as experiências que teve enquanto crescia, como a relação com sua família e convivência com as pessoas que não conheciam seu segredo, deixando mais humano o personagem cujo dilema principal é não se adaptar a um ambiente em que é intruso.


Outra vantagem das várias cenas ambientadas num tempo passado é a oportunidade que temos de apreciar o trabalho ótimo dos atores que interpretam personagens secundários, mas que têm grande importância no enredo, como Kevin Costner e Diane Lane (Jonathan e Martha Kent) Amy Adams (Lois Lane), Russel Crowe (Jor-El) e Michael Shannon (o antagonista, General Zod). Henry Cavill também mostra seu potencial. Fica claro que o ator dá vida à seu próprio Super Homem, sem copiar traços de interpretações anteriores que também fizeram sucesso e estabeleceram a imagem mais conhecida do herói (lê-se Christopher Reeve).

Claro, o filme não é isento de alguns erros. Lois Lane, por exemplo, é bem utilizada na trama, exceto no que seria sua função principal: ser o par perfeito de Clark. A relação criada entre os personagens é fraca, o que resulta num amor extremamente forçado. Há também o excesso de explicações desnecessárias, colocadas em várias cenas que por si só já são compreensíveis.


Efeitos especiais e sequências de lutas corporais aqui não faltam. Assim como cenários bonitos e, principalmente, a fotografia, que equilibra muito bem as cenas escuras e coloridas, para cada momento do filme. Assistir em 3D é, sem dúvidas, recomendado.

Dentre tantos méritos, há um que talvez seja o mais icônico (pelo fato de não ser comum em filmes de super heróis), que é o olhar filosófico apresentado. De um lado, temos nós humanos, sem esperanças, lidando com uma das nossas principais questões sobre a vida (estamos sozinhos no universo?). Do outro, temos um Clark Kent que começa agora a conhecer a si mesmo e seu propósito em nosso mundo. A figura do Superman como um messias é explícita, contando inclusive com algumas referências que montam um paralelo do herói com Jesus Cristo, como a idade de Clark (33 anos) e a forma como ele é enviado à Terra.

Depois de tanto mergulhar na história, é impossível ver subir os créditos sem ansiar por um pouco mais. Decididamente, O Homem de Aço pode ser o filme que trará a figura mais conhecida dos quadrinhos novamente ao sucesso no cinema.