Del Toro é um grande conhecedor de criaturas enigmáticas e fantásticas do cinema, e além disso, ele é o criador de muitas delas. Desde Hellboy ao Fauno, Guilhermo Del Toro se provou como um apaixonado pelo que faz e isso é evidente em Pacific Rim (ou Circulo de Fogo) que estreou aqui no Brasil nessa última sexta-feira (09/08/13).
Simples, porém robusto, o filme impressiona à primeira vista por dizer três ou quatro termos e literalmente cair na briga sem essa necessidade hollywoodiana de explicar tudo e mostrar o que o publico quer ver, (
Os cenários são muito bem feitos. Prédios, mares e avenidas são socados, pisados e estraçalhados por Jaegers e Kaijus. O filme também nos entrega um clima quase que de Blade Runner com neons em placas com dizeres chineses e fumaça e mais fumaça; isso contrasta com a alta tecnologia nas ruas centrais e nas litorais criando a distinção entre o subúrbio perigoso (onde Hannibal Chau comanda sua gangue mercenária), a cidade (onde o governo tenta controlar a situação) e a resistência (onde pilotos experientes tentam combater as ameaças). O roteiro não entra em espirito nacionalista (nem teria com tantas homenagens ao cinema e TV orientais) e, apesar do principal Jaeger ser norte-americano, australianos e chineses dividem cena e são apresentados como um dos melhores do que fazem.
Pacific Rim é um filme muito bem dirigido e o 3D exigido pela Warner é bem executado com tiradas de objetos e placas na frente dos atores e prédios gigantescos para dar a sensação de duas camadas, e assim, a sensação de profundidade. O senso de escala impressiona também pelo imenso cuidado e meticulosidade, e é por isso que temos tantas e tantas imagens amplas de cenários para que possa ser enquadrado a ponte, o ocenano, o Jaeger, o Kaiju, e o prédio e assim termos uma (senão perfeita) boa ideia de tamanho dos gigantes. Apesar de ser bem simples, o roteiro se prova maduro e sucinto, com alívios nas horas certas e moderados (afinal, estamos falando do quase fim do mundo) e flashbacks que cortam toda a necessidade de minutos e minutos de envolvimento entre personagens (como no caso de Mako e Raleigh) para que o público pudesse engolir a repentina familiaridade e intimidade entre a dupla - isso é devido a genial desculpa do fluxo que torna o caminho de aprofundação de e entre personagens uma via de mão única. Após todo o show-off de efeitos especiais, é interessante sentir como o filme faz bem, e separando-se de filmes como Transformers, Avatar, Prometheus e tantos outros que prometem duas horas de um filme cheio de efeitos especiais e tramas épicas e no fim, só cumprem a primeira parte, Guilhermo Del Toro nos prometeu um filme sobre robôs gigantes lutando com monstros gigantes e tudo isso para salvar a humanidade (algo bem próximo do que a criança latina viu na TV a infancia inteira em Power Rangers, CyberCops, Jiraya e muitos outros), além de lembrar em certos momentos as estripulias de Michael Bay e até referenciar Evangelion, Pacific Rim nos entrega isso em pouco mais de duas horas preenchidas de destroços, socos, uma deliciosa ânsia por um beijo entre Raleigh e Mako, espadas e o já famoso soco foguete. Pacific Rim fugiu do estereótipo hollywoodiano de explicar tudo, e nos entregou um filme muito dificil de dar certo do jeito que deu, aquele em que você sabe que no final os robôs gigantes ganham, mas o que conta é como eles ganham
Por: Danilo Silva
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