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Carrie, a estranha - Critica

Remake da clássica obra de Stephen King foi necessário? Saiba mais lendo a critica por Matheus Souza!

Como Não Perder Essa Mulher (Don Jon) - Critica

Joseph Gordon-Levitt estreia no roteiro e na direção, mas vale a pena ir ver? Leia a critica!

Cinerama vem aí

O podcast totalmente feito para os brothers amantes do cinema está chegando, saiba quando chegará e como ele será

Você conhece o trabalho de Craig Thompson?

Conheça um dos mais talentosos quadrinistas da atualidade

Critica The Purge

Um conceito muito bom, uma realização nem tanto

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Novo Filme de Flash Gordon?

Flash Gordon pode ganhar um novo filme, segundo o Film Divider. O longa já está sendo planejado e parece que vai ganhar sinal verde para o início definitivo da produção. À cargo do planejamento e produção, é citado o nome do produtor John Davis ("Eu, Robô", 2004) que tem seu trabalho reconhecido por filmes sci-fi.
O personagem foi criado pelo cultuado desenhista Alex Raymond (Agente Secreto X-9) que, além de criar Gordon e outras obras, ainda influencia muitos desenhistas até hoje pelo seu realismo nos traços. A história de Flash Gordon começa quando ele, jogador de futebol americano, se transforma em um herói espacial ao parar no planeta Mongo, onde lidera uma rebelião contra o tirano Imperador Ming.

A primeira adaptação das histórias do personagem de Alex Raymond aconteceu em três parcerias com o ator Larry Buster Crabbe, que viveu Flash Gordon em três seriados de aventura a partir de 1936. Nos anos 80, Gordon ganhou um filme com Sam J. Jones e trouxe de volta Gordon aos cinemas; o longa ficou mais conhecido pela trilha sonora produzida e executada pela banda Queen. Sam J. Jones recentemente apareceu na comédia de 2012 "Ted", estrelada por Mark Wahlberg e dirigida e roteirizada por Seth Macfarlane. A última tentativa de trazer o personagens às telas aconteceu na TV. Foi produzido um seriado sobre Flash Gordon em 2007, mas o mesmo só teve uma temporada.
Sem previsão de estreia, o filme já conta com dois roteiristas: John D. Payne e Patrick McKay, que estão envolvidos com o próximo Star Trek. Os dois estão envolvidos num filme bíblico sobre Golias e na adaptação do livro “Boilerplate: History’s Mechanical Marvel”, sobre a história fictícia do primeiro robô do mundo, que ao longo de sua existência presencia momentos históricos da humanidade e conhece grandes figuras, como Theodore Roosevelt e Pancho Villa.

Por: Danilo Silva

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Realidade virtual: quanto tempo até a "imersão completa" e quais os impactos que ela pode causar?


A segunda década do século XXI certamente será marcada pelos avanços na área digital, após o início da chamada revolução digital, que aconteceu no final do século XX, houve um surpreendente avanço da tecnologia em prol do entretenimento, filmes e games tornaram-se um negócio extremamente lucrativo e, consequentemente, passaram a atrair enormes investimentos - e isso são apenas dois exemplos da importância que foi dada ao ramo do entretenimento.

Com toda a evolução conquistada através da computação gráfica e de suas produções com verossimilidade incrível, novos desafios surgem, e o principal deles é permitir que a simulação conquistada pela computação gráfica ultrapasse os limites do 3D "chapado na tela", é provocar uma simulação que se aproxime ainda mais do mundo real.

VirtuSphere: Um dos projetos mais ambiciosos de realidade virtual.

Os sensores de movimento foram os primeiros fragmentos dessa tecnologia a qual tivemos acesso, Kinect, PS move e o controle remoto do Wii foram lançados no final da primeira década dos anos 2000, e de lá para cá inúmeras outras ferramentas tem sido lançadas tais como o Google Glass e o Oculus Rift, este último aliás foi eleito o melhor gadget da CES 2014, e promete revolucionar mais uma vez a maneira como jogamos.


Google glass conectado à lentes de grau.

Mas em quanto tempo teremos uma "imersão completa"? Os avanços na área tem progredido de forma muito veloz, e projetos para a área não param de surgir, o Oculus Rift, que parecia ser o produto que dominaria o mercado nem foi lançado e já enfrenta concorrentes, já que a Sony apresentou na CES deste ano um concorrente chamado de HMZ-T3Q. Em poucos meses esses produtos já estarão a venda, e em breve já teremos uma imersão nunca antes vista, mas não é possível dizer até onde a tecnologia irá evoluir.


Produto da Sony, HMZ-T3Q, promete bater de frente com o Oculus rift.

Esse verdadeiro "mergulho" propiciado pelos dispositivos de realidade virtual propicia situações muito interessantes e sem dúvidas é mais uma ferramenta que ampliará o ramo dos filmes e jogos para áreas além do entretenimento, já pensou se ao invés de suas chatas aulas de história ou geografia (com um professor com claras tendências políticas falando abobrinha) com longos textos e pesquisas, fosse usado um ambiente de realidade virtual simulando um importante momento histórico ou uma região não mais existente? Claro que isso é apenas uma suposição, mas é também apenas um pequeno exemplo de como a realidade virtual pode impactar no nosso cotidiano de forma mais positiva do que imaginamos.
As lousas digitais são um exemplo de como a tecnologia pode ser aplicada em áreas como a educação.

Contudo, outra reflexão que pode ser feita diante do impacto que tais tecnologias podem causar é se a realidade virtual um dia poderá ser preferível à "realidade real", afinal, jogos digitais já foram tratados mutias vezes como fatores aliciadores, por mais descabível que esta ideia seja, e existem até mesmo casos de pessoas "dependentes" (ou ao menos é assim que são tratadas)  deste tipo de entretenimento. O que acontecerá então com esse tipo de comportamento quando os dispositivos de realidade virtual se tornarem acessíveis? E ainda mais com os avanços que estão para acontecer?

Algumas produções já demonstraram o potencial da realidade virtual, alguns exemplos são a franquia de jogos digitais Assassin's Creed, com a tecnologia Animus, e a Light Novel Sword Art Online, com o dispositivo Nervegear.



Animus, criado pela corporação Abstergo e presente ao longo da franquia Assassin's Creed.

Na franquia Assassin's Creed, o animus é usado para simular as vidas de antigos assassinos, que por sua vez permitem que o protagonista aprenda como se tornar um assassino com essa experiência. No sexto jogo, ele é apresentado como uma ferramenta de realidade virtual focada no mercado do entretenimento.

NerveGear, no anime Sword Art Online.

Já no anime, a realidade virtual é apresentada em um contexto bem diferente da franquia Assassin's, no ano de 2022 o equipamento NerveGear é lançado, e estimula o cérebro do usuário nos cinco sentidos através de conexões ao cérebro.

A realidade virtual será, sem dúvidas, motivo de muitas discussões no futuro, e tem potencial para revolucionar o cotidiano de várias pessoas e até mesmo algumas áreas do conhecimento. Entretanto, assim como toda tecnologia, não é possível dizer se ela irá definitivamente melhorar ou degradar ainda mais as relações humanas, pois não há tecnologia boa ou ruim, apenas um bom ou mau uso da mesma. O fato é que estamos cada vez mais próximos disso, e em poucos anos presenciaremos mais uma revolução tecnológica, resta saber se ela se limitará ao ramo em que nasceu - no entretenimento digital - ou se servirá de ferramenta para que a mente humana consiga transformar outras áreas.

Por: Paulo Ricardo de Oliveira.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Os Indie Games Valem Muito

LIMBO (Playdead, 2011)
Hoje em dia, o mercado independente tem um reconhecimento muito mais concretizado e um retorno bem mais tangível comparado a anos atrás. Porém, há muitos jogadores por aí que não se juntam a essa causa e consomem apenas os blockbusters dos vídeo-games.
Esse post é um guia para você, jogador. E para o resto das pessoas também.

É muito importante dizer antes de tudo que os títulos mais clássicos dos vídeo-games são jogos que na verdade foram feitos de forma independente (eu digo, sem auxilio de produtora e estúdio profissional). Sabendo disso, acrescente nessa lista Pacman, Alex Kidd, Prince of Persia, Sonic, Metal Slug e muitos outros jogos que vocês estão cansados de ver por aí. Todos os títulos mencionados anteriormente são exemplos de sucesso nos consoles e nos computadores ao redor do mundo, mas por que os indie games (termo utilizado para se referir aos jogos independentes) não fazem o mesmo sucesso que os games de grandes produtoras?
A resposta é simples. Assim como acontece no cinema, o mercado de vídeo-games também precisa de dinheiro. Grandes títulos como Battlefield, Call Of Duty, Fifa, PES, Mario e muitas outras franquias por aí, ajudam o mercado se manter de pé. Porém, não é só esse conteúdo que existe e eu abrirei seus olhos! A tática aqui não é você deixar de comprar Battlefield, e sim aprender a dedicar um tempo aos games independentes porque eles são feitos, muitas das vezes, por jogadores como todos nós. Isso cria uma aproximação muito grande com o jogador e a chance de sair um resultado megaboga é bem maior.





















Super Meat Boy é um dos meus favoritos. É um jogo simples de plataforma sobre um garoto que não tem pele, ele é pura carne. Super Meat Boy está sempre tentando resgatar sua namorada, Bandage Girl, das garras do antagonista Dr. Fetus.
É um game super difícil (para calar a boca de todos aquelas jogadores que dizem que os jogos estão muito fáceis), mas é diversão garantida. 
Existe a versão de PC e também uma versão para X-box 360. Ainda espero por uma versão de iOS e Android.























Entre todos aqui na lista, talvez Braid seja o consegue ser mais simples, bonito, e complexo ao mesmo tempo. O gameplay é realmente desafiante e a história dá de dez em muito game grande por aí. Essa história acompanha um rapaz chamado Tim que tem que resgatar uma princesa de um monstro. Pistas encontradas na história levam a múltiplas interpretações metafóricas, como a fábula de um relacionamento vacilante, ou até o desenvolvimento da bomba atômica.

Braid está disponível para PC, MAC, LINUX, PS3, e X-box 360.


FEZ é outro grande titulo. Muito elogiado e aparentemente despretensioso, FEZ é um game de plataforma inovador. Além da magia conceitual e os belos cenários em 8-bit, o game inova em trazer cenários 3D para um mundo muito acostumado com o 2D. E é sobre exatamente isso que que o game se trata: Gomez, um personagem bidimensional que vive em um mundo 2D, certo dia,  encontra um misterioso cubo chamado "Hexahedron" e logo em seguida recebe um chapéu fez no qual lhe permite ver um mundo 3D a sua volta.
O game está disponível para PC, X-box 360 e Ouya.























Journey é mais uma vez, um jogo simples, bonito, porém, ao contrário de Braid, possuí uma proposta simples. Essa proposta é a seguinte: o jogador controla uma figura encapuzada no meio de um vasto deserto, cujo objetivo é alcançar o topo de uma grande montanha que está ao longe. Outros jogadores podem ser encontrados na viagem, um de cada vez; os jogadores podem se ajudar, porém não podem se comunicar e seus nomes não são mostrados. A única forma de comunicação entre os dois é com um grito sem palavras. Esse grito pode transformar peças de tecido paradas em um vermelho vibrante, que brevemente permite que o jogador voe.

O game está disponível apenas para PS3.

























Um maiores sucessos comerciais entre os presentes na lista, Don't Starve vem conquistando mais fãs a cada dia. O objetivo do jogo é sobreviver o máximo número de dias possível, evitando morrer de fome, ficar insano e criaturas hostis. O jogador pode coletar e criar uma variedade de itens, assim como construir estruturas para ajudá-lo a sobreviver. Existe também um "modo aventura", disponível quando jogando o modo de mundo aberto. Nesse modo, o jogador deve passar por vários níveis de dificuldades cada vez maiores.

Don't Starve está disponível apenas para PC, Linux e MAC.























O maior sucesso comercial dos indies aqui presentes, Minecraft conquistou uma legião de fãs por todo o mundo fascinando criança e adultos. Minecraft é um jogo de mundo aberto que permite qualquer tipo de construção utilizando-se blocos. Fora isso, o game conta com uma boa mecânica de mineração e coleta de itens para utilizar no game.

Conhecido por instigar a criatividade e imaginação, Minecraft merece todos o sucesso que conquistou.
O game está disponível para PC, PS3, X-box, X-box One, Android, iOS, PS4 e PSVITA.





















Se você está adentrando pela primeira vez nesse território de indie games, o filme Indie Game - The Movie é uma ótima pedida. Se você já conhece, melhor ainda. Indie Game - The Movie é um documentário que acompanha o desenvolvimento de três dos games da nossa lista acima: Super Meat Boy, Braid e FEZ. É um documentário premiado e muito legal para qualquer amante dos games.























Ainda em documentários, este em questão agora conta a história de Mojang, a empresa por trás de Minecraft e fala também sobre seus idealizadores. É uma ótima pedida para os fãs do game.


Além disso tudo, também há muita gente que apoie e muitas empresas que também o fazem. A Steam é uma plataforma que estimula bastante os indie games com o Greenlight em que os usuários podem avaliar o game, dizer se comprariam ou não para que finalmente, após um resultado atingido, a sinal verde seja dado para o game e ele seja comercializado na main page da Steam. Uma atitude que se repete de diferentes formas no PSN e na LIVE, mas que não possuem uma ideia tão legal quanto a Greenlight.


Há muitos games bons além dos blockbusters de vitrine das lojas de jogos e você devia ir atrás desse material tão valioso e tão importante para muitos desenvolvedores por aí. Sem contar que muitas das vezes, esse material é mais acessível monetariamente e também open source, ou seja, você pode trazer melhorias pros games.

Procure, jogue e se divirta mais em 2014!

Por: Danilo Silva

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O Hobbit - A Desolação de Smaug - Crítica



Para todos que já assistiram a primeira parte da nova trilogia inspirada no mundo de Tolkien, O Hobbit – Uma Aventura Inesperada, a expectativa para este segundo filme era ainda maior. E o diretor Peter Jackson não decepciona: nessa segunda parte, a trilogia fica ainda melhor e se prepara para um desfecho sensacional.

Além de um melhor aproveitamento dos elementos que mais chamaram atenção no primeiro filme, principalmente ligados a qualidade visual do longa, em A Desolação de Smaug, há um desenvolvimento mais sombrio da história, diminuindo o tom humorístico e aumentando as cenas de ação.



Com o objetivo de adaptar a história para uma versão mais adulta, Peter Jackson acrescenta vários elementos que não estão presentes no livro de Tolkien. O exemplo mais perceptível é a elfa Tauriel , interpretada por Evangeline Lilly (Lost): cada uma de suas cenas dá um toque feminino que o livro não tem. Da mesma forma, algumas das cenas de ação são incrementadas ou sofrem algumas mudanças, tornando-se mais interessantes aos espectadores do que seriam se fossem reproduzidas respeitando todos os detalhes da obra original.  Todos esses recursos, apesar de não serem essenciais para o desenvolvimento da trama, aparecem de forma natural, sem prejudicar a aventura inesperada de Bilbo (Martin Freeman) e os anões para alcançar a Montanha Solitária.

A experiência visual de assistir o filme, com os cenários incríveis e os 48 quadros por segundo, continua tão boa quanto na primeira parte. Pra ajudar no quesito, agora ainda temos o dragão Smaug (Benedict Cumberbatch), tão belo quanto assustador.




Com 161 minutos, o tempo de duração de A Desolação de Smaug serve tanto como ponto positivo quanto negativo. Por um lado, algumas cenas são perceptivelmente aproveitadas ao máximo, sem pressa e deixando o espectador satisfeito. Por outro, há cenas cansativas e com vários minutos dispensáveis, e ainda assim, nem todos os personagens são explorados.

Com bem mais acertos do que erros, Peter Jackson faz, de novo, um ótimo trabalho. A excitação aumenta em cada cena e, por fim, somos surpreendidos com um final inesperado na melhor parte do filme (claro), ficando com a sensação de “quero mais” que infelizmente só vai ser saciada no próximo ano.

sábado, 14 de dezembro de 2013

O Trabalho de Craig Thompson


Craig Thompson é um cartonista americano nascido em Michigan, ao norte do país. Ganhador de premios como Eisner e o Harvey Awards, Thompson começou a fazer fama com Good-bye, Chunky Rice e logo depois lançou suas mais importantes publicações até agora: Blankets (Retalhos) e Habibi.
O cartonista, graphic novelist, e escritor cresceu junto a uma família cristã regida por um pai encanador e uma mãe que trabalhava hora como babá, hora como enfermeira particular em casas de pessoas enfermas. Tudo isso influenciou muito na obra de Thompson e qualquer um que tem contato com suas graphic novels ou seu blog percebe que seu método de trabalho é peculiar. Thompson tem grandes lacunas de tempo entre os lançamentos de suas graphic novels. É um artista perfeccionista e cuidadoso, como seus próprios fãs e a critica comenta. Os temas de suas histórias, em geral, giram em torno de conflitos de família e conflitos pessoais dos protagonistas que se baseiam em temas como amor, religião e amadurecimento.
A narrativa de Thompson é algo que não fica apenas no texto, afinal, ele faz quadrinhos. Suas páginas muitas das vezes não contém quase diálogos e nem ao menos muitas onomatopeias, a divisão e a separação de imagens nos quadros sobre a página constroem uma narrativa que lembra muito a narrativa cinematográfica. Isso fica entendível quando sabemos que Thompson já havia cogitado ser um animador. 

Blankets - Retalhos - (2003): 

Após Good-bye, Chunky Rice, Craig Thompson lançou Blankets, o que seria a história de sua juventude. É uma graphic novel grande de mais de quinhentas páginas cheias de memórias e desabafos do autor. É como se ele estivesse botando para fora aquilo que todos guardam no fundo da memória, disse um amigo meu ao ler a graphic novel. E é verdade. É uma história intima sobre amor, religião e conflitos familiares. Craig questiona a igreja e descreve como deixou de seguir sua igreja, mas não deixou de acreditar no que acreditava. Vemos como a infância pode ser repleta de bons momentos, mas é ao mesmo tempo uma época cruel e impiedosa de aprendizados e relações pessoais. O único erro de Thompson, se é que é possível apontar um em uma história tão intima, é ele ter deixado de segundo plano a relação com o irmão para explorar sua paixão adolescente com Raina.

Habibi (2011):

Após Blankets (2003), Craig Thompson lançou Carnet de Voyage (2004), mas não consegui adquirir a graphic novel até hoje. Apesar disso, Habibi é mais especial para mim e foi a graphic novel que me fez adotar Craig Thompson como um dos meus quadrinistas favoritos.
Em Habibi, Thompson numa discussão que até então ele havia apenas abordado de formas mais esquivas. Mas esse momento iria chegar uma hora ou outra para aquele homem que cresceu numa família cristã. Habibi é todo sobre religão, claro, é uma história de amor e afeto, mas discute de forma voraz e direta o que propõe. É uma história que todos têm que conhecer, disse para mim mesmo quando terminei. O final não é surpreendente porque toda a história é, mas é inexplicavelmente retribuidor ao leitor. É compensador. Os traços são fortes. A história pende entre a orgia e a pureza dos protagonistas. Os cenários são sujos e sempre repugnantes. E tudo isso combina com o contraste dos protagonistas, Dodola, a mulher branca e pura, e Zam, o menino negro e oprimido. Sexo e religião nunca conversaram tão bem.



Craig Thompson deixou sua cidade natal após passar um semestre na Milwaukee Institute of Art & Design e foi morar em Portland, Oregon. Ele ainda está em atividade e é detentor de quatro Harvey Awards, três Eisner Awards, e dois Ignatz Awards.



Já está trabalhando em sua próxima graphic novel que se chamará Space Dumplins e tem lançamento previsto para 2014.


Por: Danilo Silva

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Carrie, a Estranha - Critica

Foi na década de 70 que o mundo conheceu a história de Carrie White pela primeira vez. O livro de mesmo nome, primeiro sucesso de Stephen King, foi publicado em 1974, e o primeiro filme, dirigido por Brian de Palma, estreou em 1976.

Carrie poster 19Out2013

Na trama, Carrie White é uma garota que, por causa das restrições excessivas que recebe de sua mãe fanaticamente religiosa, é rejeitada pelos colegas. Essa rejeição passa dos limites quando, ao menstruar pela primeira vez, no banheiro da escola, ela é atacada pelas outras garotas. Nesse mesmo momento, Carrie descobre ter poderes sobrenaturais, e que pode usá-los para proteger a si própria.

Carrie A Estranha 07out2013 10

A primeira versão cinematográfica do clássico de Stephen King toca em pontos delicados (principalmente para a época em que foi lançado), como religião, aceitação social, o poder sexual da mulher e a crueldade adolescente. Décadas mais tarde, essas discussões continuam sendo tabus, mas que são encarados de forma completamente diferente do que em 1974/1976. Visto isso, nada mais justo que adaptar a história novamente, através de um remake ambientado em nossos tempos para que as novas gerações pudessem se identificar. Infelizmente, todo esse conceito parece ter sido perdido no longa que chegou aos cinemas na última sexta, 6 de dezembro.

Dessa vez a direção ficou a cargo da americana Kimberly Peirce (Meninos não Choram), tendo a atriz Chloë Grace Moretz como Carrie, e Julianne Moore como sua mãe.

Todas as cenas emblemáticas do filme de Brian de Palma foram mantidas, dessa vez com efeitos especiais dignos do século XXI. Infelizmente, o que foi adicionado em recursos tecnológicos foi excluído em qualidade. As atuações soam superficiais e algumas cenas, de tão mal construídas, se tornam cômicas. Há desde o abuso de explosões, sangue e sequências em câmera lenta até a repetição exaustiva de uma cena a partir de vários ângulos, no melhor estilo novela das nove.

Carrie A Estranha 27set2013 05

Mesmo Julianne Moore soa forçada dando vida à sua personagem. Sua performance até rende algumas cenas interessantes, mas que ficam apagadas diante de um roteiro tão fraco. Chloë Moretz é a única que, por vezes, parece compreender o que deveria ser a finalidade principal de um remake. Nos traz uma Carrie mais atrevida e bem menos assustada e inocente, que se aproxima mais dos jovens que conhecemos hoje.


Infelizmente, o trabalho de Kimberly Peirce aqui nos decepciona em diversos sentidos. Principalmente por desperdiçar a chance de discutir do ponto de vista do jovem moderno os temas que, depois de tantos anos, continuam atuais. A tecnologia, principal diferença entre a geração de hoje e a do filme de de Palma, tem pouquíssimo destaque. O fato de os bullies que atacam Carrie possuírem celulares e internet, por exemplo, é explorado de uma forma vazia e não convincente. Mesmo com o apelo para chocar com as cenas de morte e os efeitos especiais, o que vemos é um filme bobo, fraco e totalmente desnecessário.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Como Não Perder Essa Mulher (Don Jon) - Critica


Queridinho, galã e pretendente à próximo George Clooney de Hollywood, Joseph Gordon-Levitt lança seu primeiro filme como diretor e roteirista. A premissa do filme é simples: Jon (Gordon-Levitt) é um pegador que foi apelidado pelos amigos como Don Jon, fazendo referencia à um Don Juan contemporâneo. Ele e os amigos saem à noite e avaliam as garotas de zero à "dice" e Don Jon sempre leva uma mulher diferente para sua cama, mas, como ele mesmo admite, nada é comparado ao pornô. Apesar de não admitir, o rapaz é viciado em pornografia e depois de encontrar a garota que ele e os amigos avaliam como "dice", Jon se encontra numa situação difícil porque o sexo com Barbara (Scarlett Johansson) não chega a ser tão bom quanto a pornografia que ele tanto admira.
O filme tem pontos muito interessantes e poderia até ter sido avaliado melhor se não fosse alguns pontos que irei citar agora. É muito interessante como Gordon-Levitt cria uma Nova Jersey caricata que casa perfeitamente com o seu personagem machão e bom vizinho que preza a família, a igreja (apesar de questiona-la), os amigos, e as mulheres. Porém, essa característica tão interessante é usada de forma amadora, o que faz as linhas do roteiro se perderem entre o drama e a comédia. Outra coisa muito interessante é a personagem de Scarlett Johansson que é a personagem mais machista nessa história, quando isso era esperado de Gordon-Levitt que, ao contrario dessa expectativa, mostra-se um homem conservador, porém não segue todos os valores da geração anterior da sua família (valores esses que ficam claros nas cenas hilárias com Tony Danza).


Ainda no roteiro, Gordon-Levitt tentou criticar a mídia e os comerciais jogando alguns teasers dessa intenção, o que não chegou a ficar obsoleto, mas não chegou atingir um ponto em que pudesse ser chamado de critica. E é assim que todo roteiro é. Meia-boca como diria alguns dos meus tios. Gordon-Levitt soube criar personagens interessantes, ambientação no estilo Os Sopranos, e piadas engraçadas.

"They give awards for porn too."
Brie Larson como Monica em Don Jon (2013) e Kevin Smith como Silent Bob
em Clerks 2 (2006)

A irmã de Jon, Monica (Brie Larson) chama atenção em cena por não dizer nada durante o filme, o que cria a expectativa de que alguma hora ela irá abrir a boca e dizer algumas verdades que irá iluminar a mente do protagonista. E sim, isso acontece. Atitude que lembra muito o personagem de Kevin Smith - Silent Bob - em Clerks. Mas chega a ser tão previsível que aquela garota pendurada em seu blackberry iria fazer isso que chega a ser chato ver a cena. É pretensioso e descuidado, o que torna uma cena que poderia ser criativa e poderia acrescentar um ponto bom ao filme, numa cena que todos já sabiam que iria acontecer.

Julianne Moore entra na história de forma simples, mas se revela uma personagem com potencial também. É nela que Gordon-Levitt encontra o prazer equivalente as suas horas e horas de pornografia, mas o que poderia ser o highlight do filme, acaba se tornando a grande decepção. Não há resolução no roteiro. O filme simplesmente acaba e você fica se perguntando "Ok, mas e agora? O que aconteceu? É isso?".
Parece ser uma grande metáfora para o verdadeiro orgasmo e é assim que o filme é construído - é construído para gerar um grande êxtase no final, mas o que realmente acontece é uma brochante fade out.

É assim que Don Jon acaba, brochante. Com pontos bons como a edição que cria um ritmo hilário para o filme com pontos que destacam piadas, mas com mancadas feias como o não encerramento de conflito, que fica evidente quando os créditos surgem, inesperadamente. Porém, para um primeiro filme, Gordon-Levitt mostrou que sabe escrever e sabe dirigir filmes de forma descente, apesar de ter muito o que aprender.

Por: Danilo Silva